Adam Silver não está de brincadeira. Quando ele subiu ao microfone na quarta-feira, a mensagem foi clara: a loteria do draft da NBA vai passar por uma reformulação. Novamente. Isso não é apenas mexer nas bordas; Silver quer mudanças fundamentais. Ele está cansado de times abertamente, ou pelo menos transparentemente, tentando perder.
E ele deveria estar. A liga tem travado essa batalha por anos. Lembra quando o Philadelphia 76ers abraçou "The Process" durante a temporada 2014-15, terminando com 18-64? Ou a temporada 2015-16, quando eles fizeram 10-72? Os fãs suportaram anos de basquete historicamente ruim pela promessa de escolhas de topo. Funcionou, até certo ponto, rendendo-lhes Joel Embiid e Ben Simmons. Mas não foi bonito. O escritório da liga definitivamente não gostou da imagem.
A questão é que o sistema atual, ajustado em 2019 para achatar as probabilidades, não impediu a prática. O Detroit Pistons, por exemplo, terminou com o pior recorde da liga com 14-68 em 2023-24, apesar de ter Cade Cunningham e Jalen Duren. O Washington Wizards não ficou muito atrás com 15-67. Essas não eram equipes competitivas. Elas foram construídas para perder, ou pelo menos construídas com uma visão de longo prazo tão grande que o sucesso a curto prazo era uma reflexão tardia. A loteria atual dá aos três piores times 14% de chance de conseguir a escolha nº 1. Isso ainda é um bom incentivo para ser terrível.
Olha, o tanking não é novo. Faz parte dos esportes profissionais desde sempre. O Houston Rockets fez 17-65 em 1983-84 e conseguiu Hakeem Olajuwon. O San Antonio Spurs fez 20-62 em 1996-97 e draftou Tim Duncan. Esses dois jogadores sozinhos mudaram a trajetória de suas franquias por décadas. A recompensa por ir ao fundo do poço pode ser astronômica. Um talento geracional pode transformar um perdedor crônico em um campeão.
Aqui está o problema: quando várias equipes estão abertamente disputando o último lugar, isso dilui o produto. Eu estava em um jogo dos Pistons em fevereiro onde eles perdiam por 30 pontos no terceiro quarto. A energia no ginásio era... escassa. Os fãs são inteligentes. Eles sabem quando um time não está tentando vencer. Eles também sabem quando a gerência está mais focada em bolinhas de pingue-pongue do que em vitórias reais. A principal preocupação de Silver é a integridade competitiva. Ele quer que cada jogo importe, ou pelo menos que cada equipe tente genuinamente vencer cada jogo. Esse é um objetivo nobre, mesmo que pareça um pouco utópico em uma liga impulsionada por capital de draft e talento de superestrelas.
Então, quais são as opções de Silver? Ele mencionou "mudanças fundamentais". Uma ideia que tem sido discutida por anos é um torneio de "play-in" para equipes da loteria. Imagine um cenário onde os piores times jogam entre si, e o vencedor consegue a escolha nº 1. Isso certamente incentivaria a vitória, mesmo para times ruins. Ou talvez um sistema que recompense as equipes que acabaram de perder os playoffs, dando-lhes melhores chances na loteria como prêmio de consolação. Isso puniria o tanking descarado.
Outro conceito é o draft "roda", onde as equipes giram pelas posições de draft em um ciclo de vários anos, garantindo que todos recebam uma escolha de topo eventualmente, independentemente do recorde. Isso é bastante radical, mas eliminaria o incentivo para perder. Minha opinião ousada? O que quer que Silver implemente, não impedirá totalmente as equipes de priorizar futuras escolhas de draft em detrimento das vitórias atuais. O fascínio de um Victor Wembanyama ou um LeBron James é simplesmente muito forte. As equipes sempre encontrarão uma brecha, uma maneira de ser "ruim com um propósito". Elas podem não ser tão descaradas sobre isso, mas a estratégia subjacente permanecerá.
Em última análise, Silver quer proteger a imagem da liga e garantir que os fãs estejam recebendo um produto competitivo todas as noites. Esta próxima rodada de mudanças no sistema de draft será significativa. Minha previsão ousada: a NBA passará para um sistema onde a loteria é totalmente aleatória entre as equipes que não foram para os playoffs, sem qualquer ponderação baseada no recorde. É a única maneira de realmente desincentivar a derrota.