Stephen A. Smith fez uma declaração esta semana que, pela primeira vez, me fez parar para pensar. "Nunca vimos LeBron James como uma terceira opção", disse ele, falando sobre a dinâmica atual dos Lakers. E sabe de uma coisa? Ele não está errado. Não totalmente, de qualquer forma. Estamos tão acostumados a LeBron ser *o* cara, o principal armador, o alfa indiscutível. Por duas décadas, foi o show dele.
Pense nisso. Mesmo em Miami, Dwyane Wade ainda estava no auge, mas no final, era claramente o time de James. Em Cleveland, Kyrie Irving teve seus momentos, mas LeBron comandava tudo. Agora, aos 39 anos, com Anthony Davis dominando e D'Angelo Russell acertando grandes arremessos, James é frequentemente a terceira opção de pontuação. Em 16 de março, contra os Warriors, Davis teve 27 pontos, Russell fez 26, e James terminou com 23. Essa é uma linha estatística que teria sido impensável para ele há alguns anos. Na vitória dos Lakers por 128 a 124 na prorrogação contra Milwaukee em 26 de março, Russell liderou o time com 44 pontos, Davis teve 27, e James contribuiu com 20. Ele foi literalmente a terceira opção no placar, também.
Isso não é sobre um declínio, na verdade. James ainda está registrando números absurdos para sua idade: 25,4 pontos, 7,3 rebotes e 8,1 assistências por jogo nesta temporada. Essas são estatísticas de calibre All-NBA para a maioria dos jogadores. Mas a *maneira* como ele as obtém mudou. Ele está deferindo mais, escolhendo seus momentos e deixando Davis e Russell iniciarem o ataque com muito mais frequência. É uma mudança sutil, mas significativa. Ele não está forçando a jogada a cada posse de bola como costumava fazer. Ele está jogando mais sem a bola, fazendo bloqueios, dando o passe extra.
**A Evolução de um Superastro**
Já vimos jogadores envelhecerem e saírem do auge, claro. Michael Jordan em Washington, Kobe Bryant em suas últimas temporadas – eles ainda eram estrelas, mas a dinâmica era diferente. O que torna James único é o quão disposto ele parece abraçar esse novo papel. Ele não está amuado, não está exigindo a bola. Ele está facilitando, liderando e ainda fazendo jogadas decisivas quando necessário, como aquele bloqueio crucial contra os Bucks em 26 de março que garantiu a vitória. Isso é liderança. Isso é um cara que entende que o objetivo é vencer, não apenas inflar suas próprias estatísticas.
Olha, eu fui crítico de James ao longo dos anos. Suas postagens passivo-agressivas nas redes sociais, as ocasionais reviradas de olhos quando as coisas davam errado. Mas nesta temporada, você não pode negar seu compromisso em fazer este time dos Lakers funcionar. Ele se adaptou. Ele deixou os outros brilharem. Em 28 de fevereiro, quando Russell fez 44 pontos contra os Kings, James foi, sem dúvida, seu maior torcedor no banco. Você não vê isso de um cara obcecado em ser o melhor.
A questão é a seguinte: esta versão de LeBron, aquela que ocasionalmente fica em segundo plano, é na verdade mais perigosa para os adversários. Eles não podem apenas se concentrar em pará-lo. Eles têm que lidar com o domínio interior de Davis e a pontuação de perímetro de Russell, sabendo que James está à espreita, pronto para explorar qualquer falha defensiva. É um ataque mais equilibrado, e isso torna os Lakers um adversário mais difícil nos playoffs. Minha opinião ousada? Este LeBron "terceira opção" é a versão mais valiosa dele para os Lakers agora, mesmo que seja menos chamativa. Ele torna todos os outros melhores.
Os Lakers não são perfeitos, nem de longe. Mas eles estão jogando seu melhor basquete da temporada na hora certa. E grande parte disso se deve à disposição de James em se adaptar. Se eles fizerem uma corrida profunda nos playoffs, e eu acho que farão, muito do crédito deve ir para o cara que aprendeu a compartilhar os holofotes.